Tinha um filtro negro que o protegia do mundo, em seu carro potente que desafiava o bom senso. Dirigia apenas na pista de ultrapassagem. Nunca usava a seta para avisar seu destino. Conduzia como se só estivesse e certamente só estava.
Até que ela ousou ultrapassá-lo, meio sem jeito, pela pista da direita. Encontraram-se à frente, na primeira passagem de pedestres. Ela, sem filtro. Ele, trancado em sua armadura. Baixou o vidro para chamar a atenção dela, que irresponsavelmente o havia ultrapassado. Tinha cabelos brancos e ar arrogante, chamou-a de louca e voltou para seu universo escuro.
Fazia um lindo dia azul no planalto central. Talvez ele nunca se dê conta disso.