Se a cidade pudesse tomar a palavra, naquele sábado de cinzas disfarçado de carnaval, teria o que dizer àqueles que ainda acreditam no “rouba, mas faz”. Com pudor e dignidade, escreveria um recado breve:
Não quero quem rouba, mas faz. Quero quem faz.
Quero quem reconhece o sacrifício diário e contínuo do cidadão e do empresário idôneo, que pagam seus impostos para que esta Polis funcione.
Quero mais que retórica, mais que moralidade atuada, mais que obras – as obras nada mais são que uma vitrine de álibes admirados todos os dias por aqueles a caminho do trabalho.
Quero que este quadro vergonhoso sirva de aprendizado e que nunca mais se apoderem de mim homens que usam de trapaça e choram, porque são esses os que roubam, mas fazem.